Eu, o psiquiatra e os remédios
Pela primeira vez nesta vida, procurei um psiquiatra pra mim. Como são raros, as consultas custam os olhos da cara. Em média 600,00. Não tenho condições para tal. Procurei pelo plano. Quase não existe. Nas clínicas que consegui ligar, não estão marcando novas consultas. A indicação particular com preço "popular", só tinha vaga pra mais de um mês à frente. Como vou esperar um mês, se hoje eu praticamente não me sustento?
Procurei. Uma busca levando a outra. Encontrei uma clínica popular perto de casa. Consegui o nome do psiquiatra. Pedi informações sobre ele nos grupos que faço parte. Uma pessoa respondeu. Deu bom feedback. Liguei num dia, horário disponível no dia seguinte. Marquei. Paguei com cartão de crédito. As contas com remédios, médicos e exames está ficando alta. Fui.
Desejei sair dopada da consulta. Óbvio que isso não aconteceria. Minha angústia não anda. Galopa por dentro de mim. Ocupa todos os espaços. Está consumindo minha lucidez. Minha energia física e psíquica. Ele me ouviu. Diagnóstico presumido por mim e pela psicóloga. Picos de ansiedade e depressão. Um remédio pela manhã. Outro à noite. Efeito daqui a 20 dias. 20 dias, Senhor! Como vou suportar?
Na próxima quarta, Tavo tem consulta com a neuro super recomendada. Claudinha vai conosco. Graças aos céus! Não sei como iria conseguir suportar sozinha com Tavo esse momento. Tavo olha pra mim. Me mostra as limitações físicas visíveis. As não visíveis, ainda assim ele me mostra. Em cada ato, eu morro por dentro. Em cada demostração, eu também fico sem movimento. Medo. Dor. Angústia. Morte. Fé. Providência divina.
Na quarta passada, dentro da igreja do Convento de São Felix. Junto ao túmulo de Frei Damião. O curandeiro. O profeta dos pobres. O missionário. Lá. Na missa/benção aos idosos e enfermos. Lá. Neste momento que nos foi indicado por quem a gente nem conhece. Lá. Em meditação. Otávio pega forte no meu braço. Me olha profundamente. "Não peça por mim. Eu não tenho essa doença". Eu choro copiosamente.
Eu peço por mim. Peço pra encontrar o caminho da força. Peço pra que eu possa encontrar a sabedoria. Como? Eu procuro. Só encontro angústia. Dor. Morte. Medo. Muito medo. Angústia. Procuro pela fé. Encontro. Tenho fé. "Eu não tenho essa doença". Força. Firmeza. Certeza. Essa está me faltando. Boiadeiro avisou. A vitória é certa. Custa caro. Mas a vitória é certa. Providência divina. Eu creio. Escuto na minha alma as palavras de Padre Cosmo. Duas vezes. Dias diferentes. "Menina, tire isso da sua cabeça. O recado não é esse." "O recado não é esse. É muito mais simples".
A provação está posta. Minha reconexão com a espiritualidade também. Fé. Recado divino. Providência divina. Vencerei! Venceremos! Com sertralina e rivotril. Vencerei! Pena que não é hoje. Ainda...
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